OMNI
– O conceito de “tudo” foi levado ao pé da letra
Quando o Rafael Bittencourt veio até a página oficial do
Angra no facebook para anunciar o nome do novo disco do Angra e o seu
significado, a expectativa criada pelos fãs era de ouvir a banda passeando pela
discografia em seus quase 30 anos de estrada e 8 álbuns lançados até o OMNI. A questão é que o que está no novo
trabalho do Angra é muito mais do que isso. OMNI
mostra uma banda muito mais sólida, original e renovada, se comparada ao
anterior Secret Garden (que ainda
assim é um baita disco).
Realmente, o que ouvimos no OMNI é simplesmente o Angra de sempre. Uma banda que experimenta e
abusa de novos elementos, que em certos momentos impõe algo diferente (como o
caso do Rafael Bittencourt estar mais presente nos vocais), mas sem perder a
essência, que é aquela linha speed/power
ou progressiva (como o Felipe Andreolli já disse em uma entrevista), misturando-a
com elementos da música brasileira, que fez o som da banda ser algo único.
Em OMNI, ouviremos
tudo o que realmente esperamos em um disco do Angra (principalmente se for
considerar a fase atual do grupo):músicas rápidas, elementos da música
brasileira, experimentalismo, baladas, Rafael Bittencourt mais presente nos
vocais (embora agora o Fabio Lione esteja bem mais confortável no posto de
vocalista) etc. Também é importante ressaltar a participação do Marcelo
Barbosa, guitarrista que entrou para substituir Kiko Loureiro (não sabemos se
em definitivo ou não), que está tão habituado com essa sonoridade, que dispensa
comparações ao nosso eterno guitarhero
brasileiro. Sem mais, vamos ao disco.
Light of Transcendence, graças
a uma rádio japonesa, conhecemos essa música antes de todo o restante do disco
(exceto da Travelers of Time, que foi
o primeiro single do álbum). Agora,
você, fã de Angra, pare e pense: caso ainda não estivéssemos na era da internet, quando a gente precisava
comprar o CD para poder ouvi-lo e conhecê-lo melhor, e logo de cara você já ouvisse
essa música, o que você pensaria? “Cara, isso é Angra!”.
Ao ouvir Light of Transcendence,
rapidamente você já a associa com as outras músicas da banda que iniciam os
discos, como, por exemplo, Carry On, Spread Your Fire, Arising Thunder e, principalmente, Nova Era. É um excelente cartão de visita para quem vai começar a
ouvir o álbum. Música empolgante, refrão forte e fácil de decorar, duetos de guitarras,
solo rápido... Enfim: ANGRA!
Travelers of Time, a segunda
do novo trabalho, divulgada pela própria banda, começa com aquelas batidas de ritmos
brasileiros (que viraram uma marca registrada do Angra), que lembram muito o Holy Land. É uma canção poderosa, possui
um ótimo refrão, Fabio Lione chega rasgando com seus vocais, etc. Entretanto,
uma coisa que não me cativou muito foi o fato de haver muita variação para
pouco tempo de música, pois, realmente, ela começa de um jeito e passa por
várias fases até chegar a parte em que o Rafael Bittencourt dá uma palhinha com
sua voz. Não é uma música ruim, mas parece que, de tantos elementos e mudanças,
a banda se perde (ou nós nos perdemos) um pouco.
Black Widow’s Web –
Você já imaginou algum fã de Metal cantando uma música na voz da Sandy? Pois
saiba que só o Angra poderia te proporcionar algo assim ao convidá-la para
cantar no disco. E, sinceramente, a participação dela foi tão boa, que achamos que
o que ela cantou no álbum foi pouco. Muito pouco mesmo. Porém, no fundo, foi o
suficiente para se encaixar no contexto da tal Viúva Negra.
Para contemplar a
música, há a participação da Alissa White-Gluz, do
Arch Enemy, preenchendo-a com seus guturais. Embora essa técnica não me agrade
muito, elase encaixou perfeitamente no revezamento vocal com Fabio Lione durante
todo o trabalho, parecendo até mesmo uma conversa entre o bem e o mal (na
verdade, é isso mesmo). Quanto ao instrumental, dispensam-se comentários. Agora,
considerando uma das maiores bandas do Metal do Brasil, juntamente com o
vocalista do Rhapsody of Fire, uma voz gutural da vocalista do ArchEnemy e
ninguém mais ninguém menos do que a Sandy, em uma música só, você imaginaria
que isso aconteceria um dia?
Insania, a canção
que já começa com um coro à lá Acid Rain,
gritando o título fortemente, com certeza, empolga logo de cara. Além disso, o
nome repete-se constantemente no refrão, o que o faz grudarem nossa cabeça e
passarmos o dia inteiro cantando-o. Podem ter certeza de que essa estará no setlist quando a turnê do disco começar,
além de acabar virando single
posteriormente. Não é uma música rápida, mas, com certeza, mostra todo o seu
poder. Até já virou uma das favoritas dos fãs.
The bottom of my soul, momento
no qual Rafael Bittencourt assume os vocais inteiramente no álbum, algo que já
está virando rotina no Angra. Confesso que não identifiquei o instrumento de
cordas que é tocado no começo da música, mas, com certeza, deve ter sido uma idéia
experimental, algo bastante usado no seu projeto solo (Bittencourt’s Project).
Aliás, só pelo fato de o Rafael cantá-la no disco, nota-se uma aproximação do
Angra com seu projeto solo. No mais, é uma balada que ganha força no decorrer
da música, principalmente por aliar uma melodia a uma letra que gruda na cabeça
facilmente, além de um belo solo de guitarra.
Pelo fato do Angra se renovar a cada disco, especialmente
por outro integrante da banda (que não seja o vocalista principal) cantar, só
podemos dizer uma coisa: que continue assim, pois está muito bom.
War Horns: música
pesadíssima, que frisa bem a pegada do que a banda sabe fazer (e dá para ser
menos Angra?). Confesso que, em certos momentos, ela me lembrou a PerfectSymmetry, do Secret Garden. War Horns
é o segundo single do álbum e já está
se tornando uma das queridinhas dos fãs, não só pelo fato da música em si, que
é uma pedrada sonora, ou pelo refrão ser muito empolgante, ou o arranjo etc., mas
porque aqui temos ele colaborando
novamente com o Angra: Kiko Loureiro, o nosso guitarhero que fez fama no Angra,
ajudou a banda a ser consagrada e hoje está no Megadeth. Nesse registro, Kiko
colabora com um solo fantástico, bem típico de sua identidade guitarrística. Mal esperamos para ver
essa música ao vivo. Com certeza, se tivesse sido feita antes, poderia se
encaixar em qualquer disco da banda, ou seja, com certeza no futuro chamaremos
essa música de clássico.
Caveman, canção
que traz novamente aqueles elementos da música brasileira. O que mais chama a atenção
são os versos cantados em português (“Olha o macaco na árvore/O outro naquele
galho / Onde que eu não tô vendo?/Embaixo daquela flor”, etc). Novamente, remetendo-se
ao conceito do disco (o “tudo”), a banda volta às suas raízes, que fizeram o
som do Angra ser inigualável. Com certeza, eu não fui o único que pensou: “Isso
tem cara de Holy Land”. Realmente,
uma das mais legais do disco.
Magic Mirror –
Se depender do Felipe Andreolli, essa música será presença certa no repertório
da banda. Aliás, ela representa bem o tipo de som que o Angra fez nos últimos álbuns:
mais progressiva, com passagens cantadas pelo Rafael Bittencourt, refrão fácil
de lembrar, um arranjo musical mais complexo, trechos mais pesados
(principalmente no solo de guitarra), variações tonais no meio da música, sons
de piano para quebra de ritmo etc. Como músico de conservatório que é o Felipe
Andreolli, está explicado porque ele gostou tanto da Magic Mirror. Bem, eu também.
Always More –
Podem me apedrejar, mas, sim, essa foi a que mais gostei do disco. É uma
belíssima balada, uma das mais bonitas que o Angra já fez na carreira. Simples,
direta e empolgante. Uma música gostosa de ouvir em qualquer momento. Sinceramente,
peço humildemente que a banda a lance comercialmente, pois tenho certeza que
será um sucesso tão grandioso como foi Wishing
Well em 2004. Uma linda canção que será lembrada com bastante carinho pelos
fãs no futuro, com certeza.
OMNI – Silence Inside –
Será que só eu me lembrei da Shadow
Hunter com o começo da música, por causado violão cigano? Bem, se for para
lembrar dela, fica só no início mesmo. A canção ganha bastante peso logo depois,
e temos, de novo, a presença de Rafael Bittencourt cantando no álbum, porém,
revezando mais com o Fabio Lione.
Silence Inside
traz arranjos complexos, remetendo-se mais ao progressivo. Talvez, pelo fato de
ter o nome do disco nessa faixa, voltamos novamente ao conceito de tudo, pois,
ao escutá-la, tive a impressão que ela dá uma leve passeada por todos os
trabalhos que a banda fez na carreira, mas que termina ganhando uma cara nova,
principalmente pelo solo do Marcelo Barbosa, no meio da música, que lembra um
pouco o John Petrucci, do Dream Theater. Mais uma canção com a cara do Angra, para
fechar bem a parte presencial da banda tocando no álbum.
OMNI – Infinite Nothing – O
disco encerra-se com uma composição totalmente orquestrada e instrumental. A
idéia da música é a mesma da Gate XIII,
do Temple of Shadows, que passeia por
todas as canções do álbum, reproduzindo as partes mais “clichês” nos arranjos
orquestrados, para encerrar o trabalho. Agora, fica a pergunta: o Angra vai usá-la
para abrir ou encerrar os shows?
Em suma, fica nítido saber que o Angra quis mostrar TUDO
no disco. Mostrou toda a carreira da banda no OMNI, oscilando entre o passado, o presente e também o futuro (por
que não?). Sem dúvidas, o melhor álbum com o Fabio Lione nos vocais até o
momento, além de o Marcelo Barbosa ter dado um excelente cartão de visitas. Ver
o Bruno Valverde mais acomodado ao Angra, o Felipe Andreolli ditando mais o
ritmo da banda, e a mente pensante de Rafael Bittencourt por trás de todo o
conceito do disco, faz o OMNI realmente ser TUDO: TUDO de bom, TUDO o que
representa o Angra. E, não, manter a mesma pegada ou se remeter aos discos
antigos da banda não é saudosismo nem falta de criatividade. É se mostrar
sólido. E isso tudo é Angra.

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ResponderExcluirParabéns pela resenha. OMNI é um grande álbum e a turnê que começou na última quinta-feira irá consolidar o que muitos já perceberam e entenderam. Já se tornou um dos meus discos preferidos da banda.
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